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Nunca pare de estudar e aprender!

By 28 de fevereiro de 2018 No Comments

Oi tchurma!

Fiz esse post pra falar um pouco sobre alguns cursos e escolhas que fiz nos últimos anos. E por quê?!

 

Muita gente me pergunta, qual faculdade fiz, o que estudei, como “me descobri”…
Na verdade, eu acho que foi uma junção de todas essas coisas, de todas as experiências boas e ruins de cada escolha que fiz. Além, é claro, de sempre estar buscando aprender mais e mais, mesmo que por própria conta. O que importa é nunca ficar parado, independente de estar num curso de 4 anos (tipo faculdade) ou um workshop de um dia. 

Massss… vamos começar pelo começo, certo?

Desde criança sempre gostei muito de aprontar: riscava as paredes de casa, cadernos, pintava minha própria cara… coisa de criança, né? Mas lembro que meus pais sempre incentivaram muito meu lado criativo e artístico. Aos 10 / 11 anos fiz curso de pintura e reproduzia imagens como aquelas flores e frutas que se vê enfeitando a casa da vó (toalhas de louça, compotas de vidro, telas bregas – hahaha). Eu nunca tive muito talento pra desenho, mas aprendi lidar com as tintas e cores muito cedo. Não posso ignorar que o contato com esses materiais nessa época tenha alguma influencia.

Na adolescência, com 15 – 16 anos, vi minha criatividade se expressar de outra forma, recortando e colando partes de jornais e revistas. Nessa época não lembro de desenhar muito, mas ‘montava quebra-cabeças’, criando minhas próprias artes com imagens pré-selecionadas, compondo e decorando capas de cadernos e álbum de fotos. 🙂

Bom, eis que chegou a hora de ‘virar gente grande’, ir pra faculdade, escolher uma profissão. Uff, que peso! Que responsa! Entrei em surto, prestei vestibular pra Odontologia (porque teoricamente era uma profissão que ia dar dinheiro), mas entre lágrimas e testes vocacionais, descobri uma tal coisa chamada “Design Gráfico” e uma luz acendeu na minha cabeça: “Era isso!” – Óbvio que na época eu não fazia nem ideia direito do que isso realmente significava, mas estava convencida que era melhor que odontologia (certamente eu iria arrancar os dentes de todo mundo se eu tivesse que me vestir de branco todos os dias hahaha! – pra quem me conhece, sabe que uso muito / basicamente só preto ou cores escuras).

Em 2003, iniciei o curso de “Desenho Industrial – Programação Visual” na PUC-PR. Nem preciso explicar que era sempre difícil fazer toda minha família entender “que diabos eu estava estudando e, pior, o que eu faria depois?! Com que iria trabalhar?” Não foi fácil. Primeiro ano fiquei bastante confusa, o conteúdo do curso é muito teórico, muita geometria e matemática (odeio!), mas sobrevivi e no segundo ano me encontrei nas aulas de serigrafia, aquarela, criação de projeto e experimentações. No terceiro semestre, tive mais certeza (ou talvez – menos dúvidas) do que estava fazendo ali. Me formei em 2006 e dei um tempo de universidade e cursos.

Fiz meus primeiros estágios e considero de grande aprendizado o meu início como designer no mercado de trabalho o período que trabalhei na Doma Design (2005-2006) e na OpusMúltipla (2006-2009). Aprendi MUITO. Mas senti que com os anos, perdi todo aquele prazer de criar, pois praticamente só mexia no computador. Já não pegava um papel pra rabiscar, tinta pra ilustrar, outras técnicas pra explorar. Era SEMPRE correria, noites viradas, job atrás de job, muitas vezes sem tempo pra realmente curtir ou criar algo com as mãos. Foi quando senti que precisava e queria estudar mais e tentar algo novo. Entre 2006 e 2009 fiz um curso de ilustração no Solar do Rosário e um curso de Encadernação em Curitiba mesmo – dois momentos de fuga dos computadores, mas não foi suficiente. Eu estava completamente desmotivada.

Foi quando decidi ir pra longe de tudo e todos (do Brasil). Achei que morar fora ‘seria a solução dos problemas’. Fui para Barcelona fazer uma pós graduação em “Ilustração Criativa e Técnicas de Comunicação Visual” (2009-2010), na EINA – Escola de Disseny i Art, e posso dizer que foi um dos maiores desafios da vida. Pela primeira vez atravessei o Atlântico, me cagando de medo de avião, sozinha, rumo ao desconhecido… BOOM! Saí da zona de conforto, me senti estranha, muito sozinha e perdida – quase todos os dias, por muitos e muitos momentos.

  

Considero os 9 vezes (exatamente!) que passei na Espanha um renascimento. Além do curso ter sido extremamente desafiador, eu fui inundada por novas referências visuais e culturais. Conheci pessoas, lugares, países vizinhos que me encheram de criatividade, novas ideias e repertório. Foi difícil e maravilhoso ao mesmo tempo. Hoje, posso dizer que valeu muito a pena, pois descobri muito sobre mim mesma – pessoal e profissionalmente – e do que era capaz.

Voltei ao Brasil e, denovo, não foi fácil – só tinha uma certeza, queria fazer diferente de quando fui embora. Mas não haviam muitas opções, precisava trabalhar, pagar as contas e voltei a trabalhar em agências de design e publicidade como freelancer. E foi assim que conheci muita gente do mercado, melhorando meus contatos e criando novas oportunidades. Em 2012 senti necessidade de estudar outra vez, e não queria passar tanto tempo fora. Mudei então para Nova York para fazer dois cursos de verão (só 3 meses – rapidinho e mais barato) pra dar uma renovada nas ideias, e novamente, sinto que essa chuva de novidades me deu mais um gás para visualizar coisas novas pro futuro.

   

Em NY estudei na SVA – School of Visual Arts, e escolhi um curso na área de design – Visual Branding – e outro na área das artes – Drawing NYC. Nunca quis abandonar nenhum dos dois, e acredito que a junção dessas duas áreas foi o segredo pra encontrar meu caminho. Mais uma vez, além dos estudos, das pessoas que conheci, dos museus que visitei, acredito muito que a experiência de viver em outro lugar foi o gatilho para despertar novas ideias. Observar a cultura, as intervenções urbanas, as sinalizações antigas e novas. Observar, absorver, processar, transformar. 

   

Se tem uma coisa que me transformou, que me fez mudar muito, foram essas fases ‘longe de casa’, longe de qualquer referência que ‘dizia o que eu deveria ser ou fazer’. Acho que precisei me distanciar das origens pra descobrir dentro de mim outras formas de expressão. Outra vez, repito – não foi fácil, talvez, os momentos mais difíceis da minha vida, por ter que encarar a solidão, a dúvida, a incerteza… mas foi. Sobrevivi.

Posso dizer que sempre estudei MUITO, às vezes sem rumo, sem saber se estava fazendo a coisa certa. Principalmente, experimentei de tudo um pouco, me frustrei comigo, com os outros, com a vida. E então, sinto que em 2013 comecei a me reconhecer em pequenas coisas, me encontrar e a entender o que queria (ou pelo menos o que não queria mais pra minha vida). As coisas foram acontecendo meio que naturalmente, algumas atraindo outras e assim, quando percebi estava rodeada de pessoas que me inspiravam e projetos que acreditava. Acho que foi um esforço grande de escolher o que parecia bom naquele momento e eliminar o que não servia mais, aprender a dizer “não”, me conhecer melhor e me aceitar mais.

Em 2013 acabei descobrindo o mundo do Lettering – o encontro perfeito entre design e ilustração, tudo que já havia estudado antes, só que agora com foco no desenho de letras. Foi uma paixão e um recomeço, pois entendi que precisava estudar ainda mais. A arte com giz apareceu na minha vida (vide post do Rause Café) e com os amigos, Cyla, Doo e Jack, formamos o coletivo Criatipos – parceiros que me inspiram até hoje.

Comecei fazendo os workshops de Caligrafia com o Jackson Alves, além de aprender muito na prática de cada projeto juntos com a Cyla Costa. O contato com o mundo do typedesign veio pela convivência com o querido amigo e parceiro de muitas aventuras, Eduilson Coan. Cursei também Caligrafia Fraktur com o Cláudio Gil, depois fiz um workshop de Sign Painting com o Caetano Calomino. Segui tentando melhorar na caligrafia e lettering fazendo mais cursos com o Jack e também com a Lygia Pires. A maioria deles foram workshops de final de semana (1 ou 2 dias) e seguia praticando sozinha. Além dos cursos também sempre estudei muito o trabalho de outros profissionais, consultando suas criações em projetos ou livros, como a Jessica Hische, Ellen Lupton, Lauren Hom, Tide Hellmeister, Basquiat, Erik Marinovich, Gemma O’Brien… uff, tantos! E claro, sempre participando de eventos, palestras e festivais ligados aos temas, como o DiaTipo, Typographics, Bienal Brasileira de Design, TMDG, N Design, …

Recentemente, em 2017, tive o prazer de fazer o ‘Workshop Lápis y Pluma’ com os maravilhosos hermanos Yani e Guille no DiaTipo Curitiba, e também o ‘Script Lettering Workshop’ da Martina Flor em São Paulo. Além do foco nas letras, não deixei de experimentar e participar de outros workshops como Marbling Paper com Ana Paula Luz, Arte com Spray / Graffiti com Jorge Galvão, Workshop de Letterpress no The Arm Studio (Brooklyn) entre outros experimentos solo ou em colaboração com meus amigos e colegas de estúdio (SEGUNDO ANDAR) – stencil, serigrafia, lambe, pintura de murais…

Enfim, como diz o título desse post: “NEVER STOP” – nunca pare! Não dá pra ficar parado. A cada novo curso, pessoa, lugar… tudo pode ser uma inspiração, basta prestarmos atenção nos detalhes, usar aquilo que nos serve no momento e guardar o conhecimento de outras técnicas e possibilidades para outras oportunidades. Tudo vai se moldando, vai acontecendo. Descobri que a melhor fórmula, quando sinto que não sei o próximo passo, é simplesmente seguir fazendo algo. Experimentando algo novo, produzindo o que acredito, estudando, observando, absorvendo, transformando. 🙂

Espero que esse post possa ser uma inspiração e dicas de onde procurar mais e mais combustível pra criatividade de vocês.

Um beijo.

Cris.

Author Cris Pagnoncelli

Cristina Pagnoncelli é designer gráfica e artista visual. Ministra workshops há cerca de 3 anos e trabalha com diversos projetos que envolvem a concepção de identidades visuais, ilustrações e letterings em grandes formatos. Desde 2011 tem seu próprio estúdio, Desfigure, em Curitiba, e também integra o coletivo Criatipos, que surgiu da união de quatro amigos designers apaixonados por tipografia e letras ilustradas.

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